Debate ao vivo: “La política es cosa de mujeres”,

Debate ao vivo: “La política es cosa de mujeres”, com a palestrante Luciana Panke (Brasil), e as painelistas Nadia Ramos (Peru), Monica Banegas (Equador), Ana Claudia Santano (Brasil) e Tailaine Costa (Brasil), exibido pelo Facebook às 20 horas de 23 de abril de 2020

Petianas assistiram ao debate com a Prof. Dra Luciana Panke, do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e vice-Presidente da ALICE –  Associação Latino-Americana de Investigadores de Campanhas Eleitorais.

 

A Prof. Dra Luciana Panke, autora do livro “Campanhas eleitorais para mulheres: desafios e tendências”, apresentou as diferentes violências sofridas por mulheres na esfera política, consequências da cultura sul-americana tradicionalmente machista.

Entre os desafios enfrentados, destacam-se a cultura da incompetência, o mansplaining: quando um homem tenta explicar algo assumindo que a mulher não é capaz de entender o assunto;  a cultura do estupro, que implica em que ataques a mulheres no ambiente político frequentemente se tornam ameaças de violência sexual; a cultura de submissão ao homem; o manterrupting,    quando homens interrompem falas de mulheres; a cultura do silêncio, na qual as mulheres são “mudas”, ou seja, são proibidas de tomar partido em questões relevantes à transformação da sociedade; o gaslighting, abuso psicológico no qual o abusador distorce, omite e inventa informações para fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e até sua sanidade mental; e o bropropriating, quando homens tomam crédito de ideias expressadas por mulheres, muitas vezes no ambiente profissional.

Há também as culturas da “mulher ideal”, da superficialidade, do “mimimi” e dos estereótipos físicos, que contribuem para a imagem da mulher como um ser frágil, emocional, fútil e indigno de lugar no meio político. Percebe-se ainda outra tendência mais implícita, o antagonismo entre mulheres – “mulher não vota em mulher” – para inibir a presença feminina na política. A pressão causada por estes obstáculos, somada aos conflitos ideológicos comuns ao meio, têm levado à renúncia de muitas mulheres em cargos políticos.

Painelistas discutiram as informações apresentadas pela Prof. Dra. Luciana e outras situações comuns a mulheres na política em seus respectivos países. Comentou-se a existência das leis que exigem percentual mínimo de candidatas mulheres em eleições no Brasil, Peru e Equador, o último obtendo maior êxito na presença feminina em cargos políticos.

Debateu-se a necessidade de uma representatividade mais inclusiva, pois as mulheres que seguem carreira política tendem a ser urbanas e brancas, não correspondendo à realidade sul-americana, que compreende mulheres que vivem no meio rural, afrodescendentes, indígenas, asiáticas, entre outras.

Concluiu-se que política não é só governo e que toda mulher precisa tomar parte da maneira que lhe é possível. A democracia inclusiva precisa da presença feminina, em toda sua pluralidade, para se concretizar.

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